terça-feira, 31 de Julho de 2007

Galácticos

«O Real Madrid não quis o Pepe por dois milhões de euros e agora pagou 30 milhões.»

Quem o diz é Carlos Queiroz, em entrevista ao jornal A Bola. Conta o agora adjunto no Manchester United que quando estava no Real Madrid á quatro anos atrás recomendou a contratação de um tal jogador do Marítimo que tinha "fortes possibilidades de progressão" e que custaria ao clube 2 milhões de euros. A resposta que lhe foi dada foi que "os defesas não vendia camisolas".

Quatro anos mais tarde, esse tal jogador custou 30 milhões aos merengues.

Afinal parece que o treinador português até sabia umas coisas...

O Êxodo

Esta época verificou-se um verdadeiro êxodo no campeonato português. Ok, todos os anos há “êxodos” de jogadores a sair do país. Mas desta vez saíram muitos dos melhores jogadores que jogavam nestas bandas!

Vejamos isto como uma equipa:

Guarda-Redes:
Ricardo (Titular da Selecção Nacional, um dos melhores guarda-redes do último Mundial e uma referência no nosso país)

Defesa:
Caneira (indiscutível no Sporting, pela polivalência e determinação)
Ricardo Costa (embora tenha saído pela porta pequena e para um clube de menor dimensão, continua a ser um bom activo para o futebol português)
Pepe (não há muito a dizer, penso que 30 milhões já explica muita coisa…)
Tello (era um dos melhores defesas-esquerdos a jogar em Portugal).

Meio-campo:
Custódio (ex-capitão do Sporting, chegou a ser convocado para a selecção A para jogar contra o Egipto, mas não jogou porque se lesionou)
Simão (símbolo máximo do Benfica, a sua saída deixa no nosso campeonato claramente mais fraco)
Nani (uma das maiores esperanças do país)
Anderson (aposto que ainda vai ser dos melhores, senão o melhor jogador do Mundo)

Ataque:
Miccoli (o bombardeiro vai deixar muitas saudades na Luz…)
Zé Carlos (o Zé do Gol é um avançado que muito aprecio, não dá uma bola como perdida e penso que a sua saída enfraquece um pouco o Braga…)

Banco:
Baía (o jogador mais titulado do Mundo retirou-se).
Miguel Garcia (tem um bom registo de internacionalizações nas camadas jovens)
Nivaldo (boa época de estreia no campeonato português, era inclusivamente seguido pelo FC Porto)
Luís Loureiro (decidi incluí-lo pela simples razão de já ter sido várias vezes internacional pela nossa selecção)
Ibson (continuo a achar que tem talento, pena ser “molengão”…)
Karagounis (agora que estava definitivamente a ganhar espaço no Benfica…)
Carlos Martins (o rebelde decidiu procurar a sorte noutras paragens)
Filipe Teixeira (tantas vezes falado como possível reforço do Benfica, partiu para Inglaterra e até já fez 2 golos na estreia…)
Diego (o ex-Braga aventurou-se em Espanha, esperamos que tenha sorte no Atlético..ou quem sabe voltará a Portugal brevemente…)

Se por um lado alguns destes jogadores partem para os gigantes da Europa (Real Madrid, Manchester United) muitos outros preferem dar destinos ás suas carreiras no mínimo questionáveis (Dínamo de Moscovo, Real Bétis, jogar no Chipre…). Espero que não se arrependam. É claro que todos os profissionais (seja em que ramo for) têm direito a ambicionar ganhar mais dinheiro do que ganham actualmente. Mas ás vezes mais vale ganhar hoje menos e aprender mais umas coisas, antes de partir definitivamente á conquista do sucesso.

Vamos ver como vai ficar o nosso campeonato. Para já depositam-se muitas esperanças nos reforços Leandro Lima, Farias, Stepanov, Purovic, Stojkovic, Vukcevic, Cardozo, Adu, Di Maria e até Evandro Roncatto e Makukula,entre tantos outros. Uns de nome reputado, outros completamente desconhecidos, todos com esperança de vingar em território luso. Alguns até já com a cabeça no Chelsea…

A moda das torres de área

Parece que a moda pegou de vez: quase todas as equipas têm (as que não têm procuram) um jogador alto para a frente de ataque. Muito alto!

Depois do sucesso de alguns jogadores como Peter Crouch (Liverpool) ou Zigic (Racing Santander) esta época tornou-se ainda mais nítida a procura a este tipo de torres de área. Os grandes de Portugal juntaram-se á festa e contrataram Edgar (FC Porto, 1.90 m), Milan Purovic (Sporting CP, 1.93 m) e Óscar Cardozo (SL Benfica, 1.93 m).

Estes jogadores podem ser muito úteis para algumas condições de jogo: contra equipa fechadas em que se têm de “bombear” bolas para a área adversária á espera que alguém cause desequilíbrios; para os minutos finais daqueles jogos em que se tem mesmo de ganhar, esperar que esses jogadores ganhem uma bola dividida por exemplo.

Estes avançados são também vistos muitas vezes como jogadores para abrir espaços para outros jogadores, nomeadamente quando se joga com dois avançados (caso de Purovic no Sporting e de Cardozo no Benfica).

Vamos ver no que dá...

sábado, 21 de Julho de 2007

A liderança de uma equipa

Quando olho para o FC Porto e para o Sporting CP actuais deparo-me com aquilo que me parece uma crise de liderança em campo.

Comecemos pelo campeão nacional: Com a saída de Baía perdeu-se o grande símbolo de lealdade ao clube, o líder do balneário, o exemplo para os mais novos (tantas vezes que o prodígio Anderson correu para Baía para o abraçar depois de cada golo!); Pepe era um inegável líder em campo, pela determinação que colocava em cada bola, pelo incontável número de vezes em que foi ele quem pegou na bola e avançou com ela controlada criando oportunidades de golo, era um capitão sem braçadeira; Ricardo Costa, sendo muito ou pouco utilizado, era um símbolo da ascensão de um jovem no clube, ele que era uma grande promessa nacional em quem José Mourinho depositou a responsabilidade de representar o FC Porto na altura da entrega do Taça Uefa numa cerimónia oficial da Uefa, porque era, segundo Mourinho, “o futuro capitão do clube” e por fim Pedro Emanuel, que para mim é um grande líder, uma figura do profissionalismo e da experiência, mas que devido á longa lesão, creio ter perdido alguma da sua influência no grupo, como acontece com tantos dos jogadores que se lesionam gravemente e isso inevitavelmente os afasta da equipa. Por muito contacto que continuem a ter nos treinos e nas sessões de recuperação dessas lesões, não há nada como o jogo, ou até os jogos de grande nível, para unir uma equipa e destacar os seus verdadeiros líderes.
Se a isto juntar-mos a demonstrações recentes de Bruno Alves em como não está assim tão preparado para ser um dos capitães, á provável saída de Lucho, á provável saída a médio-prazo de Paulo Assunção do onze em detrimento de Mário Bolatti, torna-se um caso de falta de liderança no plantel.

No Sporting, penso que a saída de vários jogadores portugueses fez com que se perde-se um pouco da identidade do clube, porque o facto de ter muitos portugueses era algo que já estava muito ligado ao Sporting nos últimos tempos. Saíram os capitães Custódio e Ricardo, mas penso que a saída que mais “mossa” pode fazer é a de Caneira. O defesa do Valência CF era um dos líderes naturais em campo. Não se encolhia de nenhuma bola e ralhava com tudo e com todos se fosse preciso. Exigia o máximo de concentração e aplicava-se ao máximo por cada lance. É daqueles jogadores que sentia a camisola. Penso que os seus berros podem fazer falta a Veloso, Abel, etc. Ainda mais com a entrada do guarda-redes Stojkovic, Caneira seria fundamental para ajudar o sérvio no comando da defesa.

Em Portugal não se liga muito a esses tais líderes em campo. Olhamos para Itália, onde cada jogador joga até perto dos quarenta anos e onde vemos muitos defesas com trinta e muitos anos a jogarem com regularidade, pela liderança e sentido de equipa que entregam ao jogo. Olhamos para Inglaterra, onde muito jogadores estão anos e anos na mesma equipa e vêm os seus colegas da defesa, do meio-campo ou do ataque mudar e eles a continuarem intocáveis, a ensinarem os mais jovens a cultura do clube e da própria liga.

Porque o futebol não é só o que se vê dentro de campo.
Um jogo ganha-se em campo.
Um campeonato ganha-se no balneário.

Quaresma ou como a cabeça manda nos pés

Confesso: Ricardo Quaresma é neste momento um dos meus jogadores de eleição.

O extremo do FC Porto conseguiu aliar todo o talento que sempre lhe foi reconhecido á maturidade e experiência que em muitos momentos da sua curta carreira lhe fizeram tanta falta.

É fácil perceber quando um jogador pode ser muito melhor do que é. É fácil reconhecer quais os jogadores com potencial para mais. Mas fundamental mesmo é que esse jogador se aperceba que pode ser bem melhor do que aquilo que é. É aí que entra a determinação e a ambição do próprio jogador.

Quaresma apercebeu-se de que podia ser um jogador de outro nível. Podia ser mais do que o miúdo que com a bola até fazia umas fintas e umas trivelas (os seus treinadores das camadas jovens do Sporting dizem que sempre as fez), mas que perdia a bola demasiadas vezes, que reagia mal ás substituições (o jogo com o Sporting em Alvalade em 2005-2006 ainda ameaçou devolver o velho Quaresma aos relvados, quando reagiu muito mal á substituição feita por Co Adriaanse).

Quaresma agora é um jogador maduro, experiente. Mais racional, menos emocional.
Sabe quando soltar a bola, sabe que se forem os outros a marcar também conta para a sua equipa. Desdobra-se em assistências e golos de levantar o estádio. É para mim o mais espectacular jogador do campeonato português e pode (e deve!) aspirar a outros voos, porque tirando 4 ou 5 equipas no mundo, penso que seria titular e jogador fulcral e todas as outras (que usem extremos puros, bem ao seu jeito)!

É de destacar o trabalho de treinadores como Co Adriaanse, Scolari e até Jesualdo Ferreira, que foram fundamentais neste processo de crescimento de Quaresma.

Que o melhor Quaresma se afirme na Selecção e continue a encantar os adeptos!

quinta-feira, 19 de Julho de 2007

Bruno Alves, o Carlos Martins da defesa

Bruno Alves, central do FC Porto, disse esta semana ao jornal Record que quer ser uma referência do seu clube e ganhar o seu espaço na Selecção. Disse também que sempre foi um jogador maduro e que se sente preparado para ser o capitão do FC Porto.
Depois de algumas épocas mais irregulares, o central de 25 anos parece estar a ganhar o seu espaço no clube.

Bruno Alves atravessa aquela fase da sua carreira em que vai decidir que jogador quer ser.
Que Bruno Alves vamos ver?

O Bruno Alves que fez uma época de grande nível, que formou com Pepe uma dupla muito coesa a defender e perigosa na área adversária (e não na sua, como acontece com muitas). O Bruno Alves que chegou inclusive á Selecção A, com toda a justiça. O Bruno Alves que foi promovido a um dos capitães do FC Porto, por representar o jogador formado no clube, a mística do clube e teórico herdeiro de Jorge Costa.

Ou o Bruno Alves que foi acusado por muitos de ser um típico defesa caceteiro, que se limitava a bater em tudo o que mexia e que nada tinha de construtivo. O Bruno Alves que levou um sem fim de cartões, quer por jogo perigoso quer por indisciplina. O Bruno Alves de quem nem a maioria dos adeptos do FC Porto gostava ou achava ter condições para se manter sequer no plantel quanto mais ser titular!

Tal como Carlos Martins, Bruno Alves foi em tempos uma grande promessa portuguesa, chegando-se inclusivamente a falar do interesse do Inter de Milão quando tinha apenas 18 anos e alinhava no FC Porto B. Optei por comparar ambos os jogadores porque em ambos foi reconhecido muito potencial e acabaram por tardar em afirmar-se. Ambos parecem reunir condições técnicas e físicas para chegarem longe. Falta agora definir a parte psicológica. E é aí que me parece que são diferentes: Carlos Martins parece não ter vontade de fazer mais, achar-se demasiado bom para sujar os calções como os outros jogadores, parece achar que só quando a bola lhe chega aos pés é que é a sua hora de trabalhar; por outro lado Bruno Alves tem vontade de trabalhar e de melhorar, mas perde-se em actos infantis (a sua expulsão no último amigável contra o Genk é completamente imatura) e em agressões (como a que fez a Nuno Gomes á algum tempo atrás).

Ambos estão com 25 anos e está na hora de provarem se são dignos de voltar á Selecção A ou não passam de promessas falhadas.

A próxima época dir-me-á qual é a resposta.

Copa América – Balanço

Com justiça ou não, a verdade é que foi mesmo o Brasil quem ganhou a Copa América 2007. Se a essa vitória acrescentar-mos que ganhou na final por 3-0 á rival Argentina, mesmo abdicando de Kaká, Ronaldinho, Adriano, Ronaldo, entre outros, qualquer um diria que foi um grande Brasil aquele que venceu o torneio na Venezuela. Mas não foi bem assim.

Tal como comenta a imprensa brasileira, nem mesmo Dunga esperaria ter na final um jogo tão bem conseguido. Com a derrota no primeiro jogo contra o México, vieram as críticas, de todos os cantos do mundo, para a equipa técnica brasileira, para o seu estilo de jogo e aos seus jogadores. Apesar de todas as contrariedades e mau clima o Brasil acabou por vencer o torneio frente á super-favorita Argentina, que teve um percurso perfeito até chegar á final, ganhando todos os jogos e praticando um futebol de alto nível. Dunga conseguiu retirar o melhor de Júlio Baptista, conseguiu unir o plantel sobe o comando de Gilberto Silva, contou com o contributo (e de que maneira!) de Robinho e o Brasil levou a taça! A Argentina apresentou-se na competição com um Messi em clara evolução, estando já entre os melhores jogadores do Mundo, com um Riquelme em grande forma (por culpa da responsabilidade e influência que ele tanto precisa para brilhar), com um reciclado Verón que não perdeu as suas grandes qualidades de passe e temporização de jogo, com uma dupla Mascherano-Cambiasso a destruir tudo o que por ali tentava passar, com um Zanetti a mostrar que ainda é dos melhores do mundo na sua posição e com um Gabriel Milito a mostrar o porquê do FC Barcelona investir nele, entre outros.

O México garantiu o terceiro lugar na prova, justíssimo diga-se, através de um bom futebol de equipa e de um treinador que sabe transmitir muita união e sentido de responsabilidade aos jogadores que coloca em campo. Destacaram-se Castillo (que grande avançado que está aqui! Muito móvel, gosta de provocar os adversários e não tem medo de ir para cima deles, procura golos, faz assistências…), Andrés Guardado mostrou que está mais experiente e influente do que o miúdo que era no Mundial da Alemanha, Omar Bravo e Blanco acrescentam um toque da picardia sul-americana ao ataque. O Uruguai fez também uma boa prova, liderados por Lugano, Pablo Garcia e Forlán, a verdadeira surpresa foi o goleador Abreu.

Robinho foi (com toda a justiça, afinal foi o maior responsável pela vitória do Brasil) o melhor jogador e melhor marcador e regressa assim a Madrid com as baterias recarregadas de motivação, ele que bem precisa de quem lhe dê carinho e o encoraje a jogar tudo o que sabe…